Filtros de Instagram e o espelho dos millennials e geração Z

Filtros de Instagram e o espelho dos millennials e geração Z
Beatriz Pires

 

O Instagram já é considerado, há algum tempo, a rede mais nociva à saúde mental dos usuários. Entre tantos motivos, um deles se destaca: o impacto na autoimagem dos jovens. De acordo com uma pesquisa realizada pela instituição de saúde pública do Reino Unido, Royal Society for Public Health, em parceria com o Movimento de Saúde Jovem, 90% dos jovens dos 14 aos 24 anos são usuários de redes sociais, e as taxas de transtornos mentais como ansiedade e depressão dentro desse grupo cresceram em 70% nos últimos 25 anos.

Tornando-se lugar de autoafirmação, na rede social só nos reconhecemos perante a aprovação do outro. Se eu não tenho uma quantidade X de likes, então não sou bonite.

Snapchat Dysmorphia, ou a Síndrome da Feiúra Imaginária
O transtorno dismórfico corporal (TDC) é uma condição que leva os indivíduos a se preocuparem excessivamente com alguma característica física. Em tempos de redes sociais, exposição e culto ao corpo, ele vem crescendo cada vez mais.

E se em algum momento a gente pensa que só nós, anônimos, sofremos com isso, estamos muito enganados. O Snapchat Dysmorphia (termo que designa o fenômeno de pessoas que utilizam as fotos com filtro como expectativa de aparência) atinge pessoas de todos os tipos.

A influenciadora Shantal gerou polêmica ao mostrar seu corpo em diferentes ângulos, falando sobre as pressões estéticas e filtros nas redes sociais. A influenciadora foi criticada por diversos seguidores, que afirmavam que ela estava se apropriando de um sofrimento que não é seu, já que é magra e dentro dos padrões. Entretanto, ainda assim, as pressões estéticas fizeram com que ela se visse de forma distorcida.

 

Print do grupo LDRV, um dos maiores grupos de jovens dentro do Facebook.

 

Influenciadores, permutas, e normalização das intervenções
Dentro desse cenário, um assunto que anda em alta são os limites das negociações estéticas com perfis de influenciadores – que mostram as intervenções como algo natural e sem complicações, dando a falsa sensação de que se encaixar nos padrões é apenas uma questão de esforço. Quem aí nunca rolou o feed e se deparou com lipos lad, rinoplastias e botox…?

Mas se de um lado vemos influenciadores reforçando tais padrões, do outro já percebemos um movimento que questiona essas atitudes (especialmente quando envolve permuta). Recentemente, a influenciadora Dora Figueiredo fez um post em vídeo no Instagram falando sobre o assunto, reforçando pontos como auto aceitação e responsabilidade por parte dos criadores de conteúdo, que não percebem o impacto negativo que causam nos seguidores.

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Em conversa com criadores de filtros (uma profissão que surgiu nos últimos anos), junto com meus colegas de curso da Miami Ad School, ficamos sabendo um pouco mais sobre esse novo modelo de negócio. Profissão antes inexistente, hoje os criadores recebem demandas de marcas, influenciadores e até anônimos com os mais variados (e absurdos!) pedidos: de afinar o nariz a mudar a cor dos olhos, todos querem se sentir mais bonitos. De acordo com eles, os filtros que mais fazem sucesso são aqueles que trazem um “glow” para o rosto, avermelhando levemente a boca e fazendo as vezes de iluminador – aparentemente, as influenciadoras querem a “permissão” de não precisarem se produzir para gravar stories, podendo contar apenas com a ajuda dos filtros.

Outro ponto levantado foi o surgimento de demandas de filtros solicitadas por médicos especializados em reparações estéticas – tanto para divulgarem seu trabalho com o uso de influenciadores, quanto para simularem como os pacientes ficariam após a realização dos procedimentos cirúrgicos, incentivando a ação. Se antes era comum levar fotos de celebridades como referência aos médicos, hoje em dia, levar uma foto retocada com filtros já virou algo recorrente.

Dentro de um cenário tão novo e assustador, refletir sobre o uso de filtros e o culto à imagem tem se mostrado cada vez mais importante, e dados novos são revelados a todo momento. Afinal, qual o impacto real que uma foto postada pode ter na nossa vida?

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